segunda-feira, 30 de junho de 2014

Capítulo 2


Gato, sua 'mãe' e seu 'pai' juntos... Isso só significava uma coisa: Morte.
Seu pai estava morrendo e nada do que ela fizesse impediria sua morte eminente.
- Filha, eu... - seu 'pai' começou a tossir. Sua 'filha' o olhou preocupada. - Já estou bem. - ele parou de tossir. - Queria lhe dizer que não poderei ir ao festival da batalha de Deorham, como percebeu, peguei uma gripe. - ele tentou falar num tom amigável.
- Tudo bem, eu não queria ir de qualquer maneira. - ela sorriu apreciando o esforço do 'pai' em tentar ser agradável e pegou a panela que caiu após um de seus devaneios.
- Não, eu quero que vá. Era um dos festivais preferidos de sua mãe, e só acontece uma vez em 17 anos, este será seu primeiro de muitos.
- Mas, papai, eu preciso cuidar do senhor. - apesar de tudo que o 'pai' fizera para ela, Demetria jamais o trataria com desrespeito e falta de amor.
- Demi, você precisa ir. Eu já separei o seu vestido, foi o vestido que sua mãe usou no último festival, ele é especial e você deve usá-lo. Além do mais, eles farão um anúncio especial essa noite, creio eu que seja algo importante para você.
Demetria sorriu.
- Vai fazer suspense? - ela perguntou juntando as sobrancelhas.
- Hmmmm, acho que tem algo queimando. -ele apontou para uma das panelas que saia uma grande quantidade de fumaça no fogo á lenha.
- Minha nossa! - ela pegou o pano de prato em seu ombro e começou a abanar a fumaça tirando a panela do fogão. - Pai, acho que o almoço vai atras... - ela se virou e seu pai não estava mais ali. - Ele provavelmente voltou para a oficina. - falou sozinha.

O sol começava a se pôr enquanto a cidadezinha termina os preparativos para o importante festival.
Demi passou a tarde fazendo dever e arrumado a casa, como de costume, desocupando a cabeça de quaisquer preocupações. Depois de tudo finalizado ela foi para a oficina de seu 'pai' que estava vazia, mas havia um bilhete em cima da mesinha de madeira com ferramentas. "Demi, fui na farmácia comprar um cumprido. Não se esqueça de se arrumar antes da noite chegar. Assim que chegar eu descansarei. Bom festival."
- Ele pelo menos ta se cuidando. Mesmo que... - ela espantou a ideia de morte. A dor que sentia só de pensar nisso e saber que nada pode fazer para salvar quem tanto ama era insuportável. - Se arrumar! Demi, vá se arrumar. - na tentativa de mudar o foco de seu pensamento ela voltava para casa e se direcionava para seu quarto.
Um vestido turquesa de veludo estava estendido sobre sua cama. Demetria reconheceu o vestido na hora, era o mesmo de sua visão, exatamente igual! Simples e longo. Seu coração disparou. Ela, com o tempo, soube interpretar seus devaneios, mas nunca teve um como aquele que tivera nesta manhã, não sabe como interpreta-lo e o que significa. Nada a assustara mais quando seus olhos amendoados encararam aquele pano.
Com a respiração ofegante ela se vestiu e encarou-se na velha penteadeira de carvalho branco. Sua aparência era praticamente a mesma de seu devaneio, mas seus cabelos, dourados como ouro a diferenciava. Vendo uma oportunidade de distinguir-se da mulher que vira, resolveu deixar seu cabelo longo em evidência, trançando-o.  E então, pensou em sua 'mãe'... E em como linda ela ficaria naquele vestido. Sorriu satisfeita no espelho.
Sua 'mãe' não casava de lhe contar a história de Deorham, e Demi, por sua vez, não casava de ouvir. A batalha de Deorham foi um encontro militar decisivo entre os britânicos célticos e saxões ocidentais em 577. Entre seus vários resultados, a separação ética e cultura entre a Cornualha e Devon, cujo era o motivo do festival e orgulho de sua 'mãe'. Dizia ela ser descendente de saxões ocidentais que ganharam a batalha, e por isso amava tanto a cidade, pois seu povo conquistara o direito cultural livre.
Chegando na praça onde acontecia o festival o sol se pôs, e Demi observava as tochas, barraquinhas de comida, bebidas e o teatro da batalha feito por crianças do nono ano. Todos ali vestiam roupas medievais e sorriam ao beber uma taça de vinho atrás de outra. Ela entendeu porque sua 'mãe' adorava aquilo. A alegria, as vibrações positivas, a sensação de Idade Média e a mágica do céu estrelado acima fazia daquele momento uma resplendorosa noite de alegria para a cidade.
- Gostaria de fazer um anúncio. - o prefeito declarou chamando a atenção de todos para o centro da praça após o término da peça de teatro. - Quero que todos deem as boas vindas ao novo dono do majestoso Castelo Tintagel. - falou enquanto introduzia o homem ao seu lado para o centro das atenções e começava uma salva de palmas.
"Você deve estar de brincadeira." Demetria pensou consigo mesma. "É ele."

Continua...


Curiosos? Vocês estão gostando?
Por favor, comentem.
Beijos.



sexta-feira, 27 de junho de 2014

Capítulo 1


- Você nunca foi a filha que eu merecia. - o ferreiro gritava com uma garota que descia a rua.
Mais uma briga matinal. Demetria secou a única lágrima que escorreu por sua bochecha e continuou o caminho para escola. Ela já estava atrasada e resolveu pegar um atalho, observando as cores cruas que recobriam as casa e ruas da cidadezinha que se recusava a modernização. As nuvens densas e escuras faziam neblina naquela manhã. E então, subitamente, o corpo de Demetria se chocou contra a parede, seus olhos permaneceram abertos e ela já não estava mais ali.

"-Venha, pule! - o homem sorria estendendo sua mão para a jovem que Demi tinha certeza ser ela, a não ser pelos cabelos, vermelhos como o fogo.
Ela olhava para a mão do cavalheiro, forte e robusta, levantando a cabeça viu o sorriso dele e as órbitas negras de seus olhos brilharem ao ver o retorno das covinhas da mulher.
A donzela levantava a barra de um longo simples vestido de veludo turquesa enquanto pulava para uma pedra do riacho que atravessavam, recusando a mão do cavalheiro.
- Posso fazer isso sozinha. - ela levantava uma de suas sobrancelhas e o olhava com desafio. 
- Como quiser. - ele fez uma reverencia. - Mas aposto que não me alcança. 
Era uma corrida. Ela aceitou o desafio e começou a pular loucamente as pedras no caminho para atravessar o riacho. Ela o alcançou na ultima pedra e o cutucou por trás, quando ele se virou, não era mais o cavalheiro que lhe estendeu a mão. Era um... Demônio."

Demi suava de volta a realidade. Nunca havia acontecido um devaneio tão forte dessa maneira. Ela abriu o celular antigo, com apenas uma torre de sinal e viu que tinha perdido metade do primeiro horário. Então ela correu, enxugando a testa de suor.
"Mas o que foi que aconteceu comigo?" Demetria se perguntava enquanto se sentava constrangida  pelo atraso na sala de aula. Ela vasculhou a memória em busca de detalhes que não percebeu na hora. Eles estavam numa floresta desconhecida para ela, o riacho era muito fundo, pois, apesar da água ser cristalina não era possível visualizar o fundo e devido a roupa de ambos, eles não se encontravam na época atual. Demi se forçou mais um pouco na procura de algo. Castelo. O Castelo Tintagel estava no fundo das altas árvores, que apesar de altas, não tiravam a visão do enorme castelo, símbolo da riqueza de sua cidade na Idade Média. Porém, estava se desintegrando e a prefeitura não continha o dinheiro para sua regeneração e preservação. "Preciso ir lá". Demi concluiu.
O mais importante : Quem era aquele homem?
A aula acabou, Demi foi através da praia para sua casa, perturbada com tudo aquilo em mente e nenhuma maneira de interpretar o que viu. As nuvens que recobriam o céu se foram, mas o frio era presente. Ela conseguia ver o castelo de longe, em cima de um rochedo de frente para o mar. Como Demi amava aquele lugar. Desde criança ia para lá quando brigava com seu 'pai' e gostaria de chorar, adorava descobrir suas inúmeras passagens secretas e brincar de ser uma princesa. Sempre deserto, o castelo lhe inspirava, e se fazia seu lar, mesmo o dividindo com aranhas e muita poeira.
Chegando em casa foi fazer o almoço. Sua casa era simples, de madeira, com poucos cômodos e um estábulo transformado em uma oficina para seu 'pai' exercer a profissão de ferreiro. Seu pai é homem humilde e amava a mulher mais do que tudo, mas, após a morte de seu amor ele mudou, ficou frio e distante. Demi sempre soube sobre sua adotação, foi adotada aos 12 anos e 2 anos depois sua 'mãe' morreu. Ela nunca quis saber sobre seus pais biológicos, se a largaram, não mereciam saber dela. E atualmente, seu pai quando discute sempre utiliza o argumento da adoção contra Demi, o que a machuca muito.
O panela que Demi segurava caiu no chão.

" Seu 'pai' fazia carinho em um gato branco, que ronronava feliz. O gato saiu do seu colo e foi caminhando até se enroscar no pé de uma mulher que o pegou no colo. Era sua 'mãe'."

- Menina, acorda! - seu pai gritava.
- Pai! - Demi o abraçou.
- Ow, Demetria, me perdoe por hoje. - seu pai nunca pedia perdão.
- Ta tudo bem!
Gato, sua 'mãe' e seu 'pai' juntos... Isso só significava uma coisa: Morte.


Continua...


O que acharam, pessoal? Comentem, por favor.
Beijos.

quarta-feira, 25 de junho de 2014

I´m back, loves 。◕‿◕。

Hey, guys.
Senti saudades de vocês... Mais do que eu gostaria de admitir e agora estou de volta! De volta por 2 semanas, mas de volta e junto comigo vem a nova fic que escrevi.
A nova fic é repleta de surpresas. O que acham de uma sinopse?

            Faith (Fé)

Demetria nunca imaginou que os pequenos devaneios que aconteciam frequentemente dentro de sua cabeça fossem tão preciosos. Como terceira anista em Bach High na Cornualha ela nunca se destacou com as notas, como filha adotada de um ferreiro não conseguia fazer o pai orgulhoso e no quesito amizade nem sequer conseguia entender a necessidade de amigos. 
Mas toda sua vida vira de cabeça para baixo quando um de seus devaneios insanos aponta para um homem, um homem que nunca conheceu, e de forma surreal muda sua vida, tudo fica ainda mais confuso quando este homem aparece na cidade como novo morador do histórico Castelo Tintagel, o qual Demetria invadia todos os finais de semana tentada a descobrir suas passagens secretas. Seu objetivo era saber quem ele era, mas esse objetivo muda a partir de uma noite, quando ela invade o castelo e faz uma descoberta.
Os devaneios que Demetria tanto julgava a mantiveram viva e de alguma maneira a fizeram não perder a fé.


Gostaram? Comentem. Postarei o primeiro Capítulo amanhã.
Beijos.